O termo Fibras Alimentares ou Fibras Dietéticas é uma denominação genérica incluindo uma grande variedade de substâncias que são:

"Resíduos de células vegetais que não são digeridas pela parte superior do tubo digestivo do homem. São compostas de celulose, oligossacarídeos, pectina, goma e ceras". (Trowell e Burkitt, 1986).

A passagem das fibras dietéticas pelo trato digestivo resulta em diversos efeitos fisiológicos importantes para a saúde do ser humano.

No entanto, nem todas as fibras atuam da mesma forma. As fibras alimentares compõem-se fundamentalmente de 2 categorias, tecnicamente classificadas como: insolúveis e solúveis.

Essas fibras encontram-se nas frutas, sendo que as fibras insolúveis localizam-se na casca e no bagaço enquanto as solúveis compôem a parte gelatinosa da polpa.

Fibras Insolúveis

As fibras insolúveis são encontradas nos farelos de cereais, empregados em vários produtos facilmente disponíveis no mercado na forma de cápsulas, cereais matinais, flocos e mesmo biscoito.

A ação fundamental destas fibras é a aceleração do trânsito intestinal. Isto se deve à extrema capacidade de retenção de água destas, pois, absorvendo a água disponível, aumentam em volume distendendo a parede do cólon e facilitando a eliminação do bolo fecal.

Interessante ressaltar que ao absorver a água, estas fibras podem absorver também eventuais agentes cancerígenos, prevenindo o câncer de cólon.

Devido à sua insolubilidade, elas não são fermentadas pela flora intestinal e, portanto, não são metabolizadas.

Fibras Solúveis

As fibras solúveis estão presentes em vários produtos que possuem exclusivamente este tipo de fibras com destaque para: a goma acácia, a pectina e a goma xantana, mas também nos produtos citados acima, embora em quantidade muito menor à das fibras insolúveis.

O primeiro aspecto importante das fibras solúveis é o aumento do tempo de exposição dos nutrientes no estômago, proporcionando uma melhora na digestão dos mesmos, em particular os açúcares e as gorduras. Este aspecto contribui na regularização do metabolismo energético para um melhor aproveitamento no desempenho de todas as atividades físicas.

As fibras solúveis, assim como as insolúveis, agem igualmente sobre a velocidade do trânsito intestinal, porém sem aumento da absorção de água.

As fibras solúveis provocam reações de fermentação, produzindo altas concentrações de substâncias específicas denominadas de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC).

Esses elementos são os principais promotores da motilidade do conteúdo fecal e regularizam o trânsito intestinal de forma suave.

No intestino, os AGCC funcionam como fonte de energia para a mucosa e como agentes protetores de várias doenças como: diarréia, inflamações intestinais e do câncer de cólon.

Por outro lado, as fibras solúveis formam uma camada superficial suave ao longo da mucosa do intestino delgado e servem de barreira na absorção de alguns nutrientes, atrasando o metabolismo essencialmente dos açúcares e das gorduras. Isto contribui sobremaneira para a estabilização do metabolismo energético, controlando os aumentos bruscos da taxa de glicemia.

Estudos já realizados comprovam também que a ingestão de fibras solúveis contribui na diminuição da taxa de colesterol.

Além do mais, é importante ressaltar uma das propriedades mais interessantes das fibras solúveis. Estas não são digeridas no estômago mas no intestino aonde são expostas à flora bacteriana (flora intestinal), material necessário à sua degradação.

A fermentação destas fibras pelas bactérias da flora permite abaixar o pH deste meio, o que é favorável à saúde do organismo sob vários aspectos.

As fibras fermentadas convertem-se em nutrientes necessários para um melhor desenvolvimento das bactérias biofidos e lactobacilos, aumentando favoravelmente a flora bacteriana. Um dos pontos mais positivos da formação desta superpopulação bacteriana benéfica é a inibição por competição do crescimento de bactérias patogênicas (malignas). Com isso, o sistema imunológico do órgão também torna-se fortalecido, prevenindo casos de infecções gastro-intestinais e até mesmo de câncer de cólon.


A tabela orientativa sintetizada abaixo, expõe os valores de fibras alimentares totais contidas em produtos a base de fibras conforme dosagem máxima*, desmembrados em fibras solúveis e insolúveis.

Quadro Comparativo do Teor de Fibras nos Complementos Alimentares


Dosados pelo método A.O.A.C.
 *limitação de dosagem na fórmula devido aos problemas de textura (viscosidade alta, gosto
  desagradável).

Conforme a tabela acima, a Goma Acácia#, principal ingrediente das Balas e Pastilhas VALDA, compõe-se exclusivamente de fibras solúveis.

Quadro Sobre as Propriedades Nutricionais da Goma Acácia


Extraído da Monografia do Dr. T. Kravtchenko - Colloïdes Naturels International

Referências Bibliográficas

Kravtchenko T., Michel C., Cherbut C., (1997), La gomme d' Acacia modifie la composition bacteriénne et l'activité métabolique de la flore fécale humaine. "Journées Francophones de Nutrition" 26-28 nov. 97, Paris.

Binder H.J. & Mehta P., (1989), short-chain fatty acids stimulate active sodium and chloride absorption in vitro in the rat distal colon, gastroenterol., 96, 989-996.

Bourhnik Y., Marteau P. & Rmbaud J.C., (1993), Utilisation des probiotiques chez l'homme Ann. Gastroentérol. Hépatol., 29, 241-249.

Bourquin L.D., Titgemeyer E.C. & Fahey G.C., (1993), Fermentation of dietary fibre by human colonic bacteria: disappearance of, short chain fatty acid production from, and potential water-holding capacity of various substrates. Scand J. Gastroenterol., 28, 249-255.

Cherbut C., (1995), Effects of short chain fatty acids on gastrointestinal mobility, in "Physiological and clinical aspects of short chain fatty acid metabilism", J.H. Cummings, T. Sakata & J.L. Rombeau ads, Cambridge University Press, Cambridge, pp. 191-207.

Demigné C. Rémésy C., (1994), Short chain fatty acid and hepatic metabolism, in "Short chain fatty acids", H.J. Binder, J.H. Cummings & Soergel eds, Kluwer Academic Publishers, Dordrecht (NL), pp. 272-282.

De Simone C., Rosati E. & Moretti S., (1991), Probiotics and Stimulation of the Immune Response, Eur. J. Clin. Nutr. 45, 32-34.

Ducluzeau R. & Raibaud P., (1979), Les interactions bactériennes dans le tube digestifs, INRA, Masson, Paris.

Macintosh G.H. Whyte J. Mc Arthur R., (1991), Barley and Wheat foods: influence on plasma cholesterol concentrations in hypercholesterolemic men, Am. J. Clin. Nutr., 53 1205-1209

Mc Lean-Ross A.H., Eastwood M.A. & Brydon W.G., (1983), A study of the effects of dietary gum arabic in humans, Am. J. Clin. Nutr., 37 368-375.

Wisker E. & Feldheim W., (1992), Faecal bulking and energy value of dietary fibre, in "Dietary fibre-A component of food", T.F. Schweizer & G.A. Edwards eds, Springer-Velag, London, pp. 233-246.

Wyatt G.M., Bayliss C.E. & Holcroft J.D., (1986), A change in human fecal flora in response to inclusion of gum arabic in the diet, Br. J. Nutr., 55, 261-266.